Homens, Espadas e Tomates de Rainer Daehnhardt

 

Homens espadas e tomatesHá já algum tempo que este livro estava na minha lista de leitura, já me tinham falado dele, já o tinha visto na feira do livro embora nunca na altura certa ao preço certo, entretanto vi que um amigo no Goodreads o tinha e cravei-o emprestado.

O livro está dividido em duas partes, a primeira – Os Homens – muito mais interessante com histórias de coragem dos homens portugueses na altura dos descobrimentos e a segunda – As Armas – com uma listagem das armas da época, um bocado secante (a quem emprestou o livro: tinhas razão).

 

Devo referir que tanto a introdução e dedicatória do autor como o prefácio do Arquitecto e Ten. Coronel do Exército Português Armando Canelhas davam pano para mangas ou melhor para camisas inteiras: pátria, monarquia democracia, Deus, União Europeia, perda de soberania, perda da moeda… tudo em meia dúzia de páginas. Para mim o mais estranho foi ver um autor com um nome tão “estrangeiro” falar com tanta alegria e admiração da coragem do povo português.

 

Sobre o livro em si este é uma exaltação à coragem dos portugueses que batalharam e ganharam em muitas situações em que estavam em desvantagem. Os “tomates” do título não são por isso os tomates da salada mas os de ter coragem e ousadia. É verdade que há coragem mas também me parece haver muita estupidez natural como a de D. Diogo de Anaia Coutinho que conseguiu capturar um mouro nas barbas do inimigo e levá-lo para o castelo e quando lá chegou viu que o capacete, que lhe tinha sido emprestado por um companheiro, tinha ficado no meio dos mouros. Atirou novamente uma corda por cima das ameias, desceu, correu para o meio dos inimigos, encontrou o capacete, voltou a correr, subiu a corda e devolveu o capacete. Como já disse parece-me mais descontracção e estupidez natural que outra coisa …

 

Mas temos de dar mérito aos nosso antigos tugas que para além de valentes já nessa altura tinham excelentes ideias. Quem se lembraria de fazer, com balas de canhão, o que se faz com pedras achatadas atiradas rente à superfície da água? Ricochete com balas de canhão, que chegavam mais longe e abriam buracos nas embarcações turcas mesmo junto à linha de água e que se afundavam bem rápido, era batalha naval de alto nível .

 

Temos também as nossas próprias “Inês da minha Alma”, Eyria Pereira, “mulher portuguesa que, solteira, se fez ao caminho da Índia em busca de aventura” e D. Maria Ursula d’Abreu e Lencastro que, com 18 anos, se alistou no exército como Balthasar de Couto Cardoso e serviu na Índia tendo combatido com valentia inúmeras batalhas. A vida destas mulheres dava com certeza um bom livro.

 

Vou ainda mencionar Duarte de Almeida, conhecido como o “Decepado” que, na batalha de Toro, ao empunhar o estandarte real ficou sem as duas mãos e continuou a segurar o estandarte com os braços e os dentes até se capturado pelo inimigo nem o Black Night dos Monty Python teria feito melhor.

 

Depois temos o contraste em que o autor, com grande tristeza e verdade, nos diz que não sabemos preservar a nossa história. As cotas de malha usadas em batalhas foram cortadas para fazer esfregões e as armaduras reaproveitadas para tachos, panelas e espelhos de fechaduras. Há uma fotografia na pág. 87 que nos mostra uma tampa de panela feita a partir de uma armadura e na legenda diz: “… A chapa fria, que outrora ouvia o bater do coração dum português, acaba por ouvir hoje o saltitar das batatas dum cozido. Triste fim!”

 

Na segunda parte do livro, sobre as armas, fiquei a saber que D. Sebastião mandou abrir vários túmulos incluindo o de D. Afonso Henriques e o D. Afonso V para retirar as espadas e levá-las na sua campanha de África. O resto já se sabe é história, perdeu-se D. Sebastião e perderam-se as espadas, ficou o país sem rei e sem herdeiro ao trono à mercê dos espanhóis.

 

Achei este livro muito interessante, nota-se que o autor adora a história de Portugal e o país e, por isso, talvez não seja imparcial na sua avaliação dos factos, não tirando qualquer mérito ao livro e aos portugueses que nos seus tempos áureos eram uns grandes malucos capazes de grandes feitos.

 

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4 pensamentos sobre “Homens, Espadas e Tomates de Rainer Daehnhardt

  1. Pingback: Vidas Surpreendentes, Mortes Insólitas da História de Portugal – Ricardo Raimundo |

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