1Q84, de Haruki Murakami

1q84Nem sei bem por onde começar. Talvez por dizer que me apaixonei pela escrita de Haruki Murakami, pela forma única como ele me contou esta história.
Acho que posso dizer que estes 3 volumes (mais de 1500 páginas) nos contam uma simples história de amor.
Aomame e Tengo, buscam-se depois de 20 anos de distância. Antes um simples toque, um olhar, breves momentos partilhados na infância que inspiraram uma procura incessante e quase insana um pelo outro
Para além de Aomame e Tengo, conhecemos (depois de uma leve presença no segundo volume da saga) Ushikawa. Este estranho personagem tem agora direito a voz própria. Não podemos, no entanto, esquecer Fuka-Eri, o professor, o Líder de uma estranha e perigosa organização religiosa, Ayumi Nakano, Kamatsu, Tamaru e a Viúva Ogatha (e mais meia dúzia de personagens satélite).
A história é surpreendentemente simples. Tengo procura Aomame que por sua vez o procura a ele. Tengo, matemático e escritor, reescreve um romance fantástico da autoria de Fuka-Eri e com isso provoca reações inesperadas. Para apimentar a história (afinal são cerca de 1500 páginas) temos também um organização religiosa capaz de tudo, homenzinhos pequenos que saem da boca de cabras ou de homens mortos, duas luas no céu, uma gravidez miraculosa, uma assassina quase perfeita, um cobrador fantasma, crisálidas de ar, um detetive com cabeça de abóbora e uma cidade dos gatos. Confusos? Eu ficava.
Mas a verdade é que a grande vitória deste livro é a mistura absolutamente surreal da realidade, tal como a conhecemos, com elementos surreais, que roçam o ridículo, mas que fazem sentido no meio desta confusão toda.
E as descrições? Este homem põe o Eça e o Ramalhete a um cantinho ao descrever tudo em pormenor. Muitas vezes. Incontáveis vezes. E isso não me incomodou nem um bocadinho, para dizer a verdade. Os personagens são-nos apresentados exaustivamente, vezes sem conta. Cada situação é-nos contada sob várias perspectivas. E ainda assim, e por causa disso, este livro é tão espetacular.
Não posso deixar de chamar a atenção para a quantidade de vezes que se fala de comida neste livro. Cada refeição dos protagonistas é referida. E os livros que são citados são brutais. E a música que nos obriga a ir ao youtube…
Ficaram muitas coisas por esclarecer? Sim, ficaram. Mas neste caso nem isso me incomodou. Sou perfeitamente capaz de imaginar uma continuação para casa uma das situações em aberto.
Por um lado acho que este foi o final perfeito para este 1Q84. Por outro lado tenho alguma esperança que o rumor de que um quarto volume está a ser escrito não seja apenas um rumor e que possa, num futuro próximo, regressar a um mundo com duas (ou mais) luas no céu.

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Um pensamento sobre “1Q84, de Haruki Murakami

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