A segunda morte de Anna Karénina, de Ana Cristina Silva

A Segunda Morte de Anna KaréninaUm livro dividido em dois. Não sei o levou a escritora a uni-los mas essa ligação ténue não foi para mim suficiente. Mais que um livro, foram dois contos que li.

A primeira parte conta-nos a história de Rodrigo, um oficial Português na primeira grande guerra. As cartas que Rodrigo escreve a Eduardo e que este deixa no seu túmulo revelam um homem que poucos conheceram, revelam a verdade da mentira que este homem viveu. Por outro lado são um testemunho da presença Portuguesa na 1º Guerra Mundial, coisa que tantas vezes temos tendência a esquecer.

Das duas partes deste livro esta foi a de que gostei menos. Não gostei especialmente de Rodrigo e o pouco que conheço do início do século XX fez-me ter muitas dúvidas relativamente à possibilidade de alguém “pensar” daquela forma. Parece-me um discurso demasiado atual pontuado por algumas indicações do quão fechada e preconceituosa era a sociedade na época.

A escritora uniu as histórias de Rodrigo e de Violante através de um “pormenor” comum a ambos (convenhamos que serem mãe e filho neste caso é apenas um pormenor de somenos importância) e umas cartas encontradas num túmulo. Ora esta foi a parte que mais me incomodou neste livro: um jazigo de família é aberto inúmeras vezes, é visitado amiúde (naquela época muito mais do que hoje) além de que é referido que o jazigo ainda tem espaço para mais 3 cadáveres, tornando difícil que o caixão esteja de alguma forma num espaço fechado pelo que não me parece que a probabilidade de tais cartas serem encontradas seja pequena. Ora considerando o conteúdo das cartas tudo isto se torna inverosímil e este subterfúgio encontrado pela escritora para unir as cartas torna-se ridículo.

A segunda parte do livro conta-nos a história de Violante, uma atriz fabulosa, uma mulher apaixonada, impetuosa e vibrante. Confesso que adorei Violante. Leria muito mais páginas acerca deste mulher. Gostei do toque final que a escritora deu a esta parte. Li estas páginas quase de uma assentada, achei que o ritmo desta parte foi muito diferente do da primeira parte e muito mais do meu agrado. Contar-vos mais alguma iria estragar a leitura, por isso não o faço.

No geral gostei do livro, mais um que li graças à Roda dos Livros (deixo-vos aqui o link para outras opiniões sobre esta mesma história.

 

 

 

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