Tudo são histórias de amor – Dulce Maria Cardoso

tudosaohistoriasdeamorHabitualmente não leio Contos. Porque acho sempre que me vão saber a pouco. Porque gosto de ler muitas horas seguidas (quando posso), e o Conto, não sei, despacha-se num instante. Mas a verdade é que tem muita lógica ler contos nos tempos de hoje, em que o tempo nunca chega para o que mais gostamos. Assim, no final de um dia de trabalho, lê-se um conto e fica-se com uma sensação boa de dever cumprido, meta atingida, o que se quiser chamar.

Teoricamente soa bem mas nunca será como aquela sensação de ler um livro com centenas de páginas, genial, que não queremos que acabe nunca. Um Conto consome-se rápido. Umas quinze a vinte páginas ou até menos. Mas se for um bom Conto… lê-se outro logo a seguir.

Foi o que me aconteceu com “Tudo são histórias de amor” de Dulce Maria Cardoso. Em dois dias consumi o livro todo. Não sei se esta é a forma certa de ler Contos pois que sou uma principiante mas, sabendo que também há os micro-contos, já me vou imaginando a preencher pequenos espaços de tempo com narrativas curtas, naquelas alturas em que não dá para enfiar a alma e o corpo num romance.

Doze contos para escolher neste livro. Podemos ser malandros e não os ler de seguida, escolher pelo título, pelo número de páginas, ou por razão nenhuma. É uma liberdade engraçada esta que agora descubro. Eu comecei pelo segundo Conto. Como resistir ao Título “A biblioteca”?

Mas a mais simples verdade é que, quando se escreve bem, dá gosto ler seja o que for. E a Dulce mais uma vez cumpre esta premissa, com um estilo meio sonhador que nem sempre é o que parece, e surpreende com finais inesperados, que sinceramente resultam muito bem neste género de narrativa curta.

E de que falam estes Contos? De tudo, de pouco e de muito, depende de quem lê e de como o sente. Senti margem para imaginar, divagar e construir. Para fazer parte desta espécie de corridinhas literárias, apesar de não dispensar, nunca, a boa maratona.

“Não há aqui um único livro que não tenha lido. A minha biblioteca. Tive todas as vidas que li. Milhares de vidas. Pensarás que deliro. As minhas ideias já estão um pouco confundidas, mas não a este respeito. As vidas que li não foram menos minhas. Não há grande diferença entre o que se vive lendo e o que se vive vivendo. Milhares de vidas à nossa espera no silêncio dos livros.” A biblioteca, página 38.

Sinopse

“Uma velha que em clausura depende do que o seu cão fiel lhe recolhe, uma mulher que mata a sua alma gémea, nós que nos tornamos cúmplices num autocarro em noite de temporal, um rio que devolve os ecos de duas crianças a quem aguarda um terrível milagre, uma ilha onde congeminam os faroleiros e suas zelosas esposas, um assassino a salvo na biblioteca, uma menina desaparecida, uma mulher intrigada pelo homem desconhecido. Um destino chamado amor.
Nesta inquietante colectânea de contos, Dulce Maria Cardoso revela de novo a sua mestria literária.”

Tinta da China, 2014

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