O Ano do Dilúvio – Margaret Atwood

oanododiluvioA “Órix e Crex” segue-se “ O Ano do Dilúvio”. Talvez não seja exactamente uma sequela, é mais um complemento, dado que este livro preenche alguns espaços do anterior. Fiquei a conhecer melhor as personagens de “Órix e Crex”, que agora aparecem sob o olhar de novos elementos.

Apenas na fase final se poderá encontrar uma sequência de acontecimentos, na medida em que neste livro se avança (pouco) em relação ao ponto em que “Órix e Crex” terminou. Ou seja, fica a grande vontade de saber mais, de descobrir como Atwood vai encontrar um desfecho que eu não espero que seja menos que perfeito. Quanto mais leio e conheço a autora mais as minhas expectativas ficam nos píncaros, e não saber neste momento se a Bertrand (ou alguma outra editora) vai publicar a tradução do recente “MaddAdam”, deixa-me num estado de deplorável ansiedade.

Como poderá ser o fim da humanidade? Que doenças ou catástrofes podem exterminar a nossa espécie? Quem nunca pensou nisso? Quem nunca se deixou levar pelos alarmismos dos media em relação a pandemias, chuvas de meteoritos, maremotos, terramotos, tempestades e dilúvios?

Nos “Universos Atwood” que tenho vindo a descobrir a ficção é uma possível realidade. Sabemos que não é verdade mas é tão verosímil que acreditamos que pode acontecer. E o Dilúvio assim aconteceu como previsto por Crex, um homem que se assume como Deus criador de um novo Homem, perfeito e superior à espécie humana que o Dilúvio criado em laboratório vai extinguir.

“O Ano do Dilúvio” não me foi tão fácil de ler como o anterior. A realidade exposta (que prefiro não revelar) não me atraiu tanto como eu gostaria. É uma espécie de outra perspectiva da mesma acção. Há interacção entre o que posso chamar de “dois mundos” em que um é supostamente superior e o outro mais banal. Mas ambos igualmente vítimas. Igualmente alvos.

E como fica o Mundo sem seres humanos? Ou melhor, sem Homens como os conhecemos, agora substituídos por uma humanidade aperfeiçoada e superior, que curiosamente só o é porque não pensa e age por instintos. Mas e se alguns sobreviverem? Alguns que não sabemos quantos são, que estão fracos, subnutridos e desidratados mas que por alguma razão resistiram ao Dilúvio? Penso que a resposta estará então no novo “MaddAdam”. Ou então só teremos mais perguntas. Perguntas duras e difíceis daquelas que só os livros muito bons semeiam na nossa mente. Só livros excelentes como “Órix e Crex” e agora “O Ano do Dilúvio” nos deixam a semente da dúvida, do pensamento e da reflexão, que germina mesmo depois dos livros terminados.

“Merecemos nós este Amor por meio do qual Deus sustém o nosso Cosmos? Merecemo-lo como espécie? Pegámos no Mundo que nos foi dado e descuidadamente destruímos o seu edifício e as suas Criaturas. Outras religiões ensinaram-nos que este Mundo será enrolado como um rolo de pergaminho e queimado até deixar de existir, e que um novo Céu e uma nova Terra irão então aparecer. Mas porque nos daria Deus outra Terra, quando maltratámos esta de tal forma?

Não, meus Amigos: não é esta Terra que será demolida; é a Espécie Humana. Talvez Deus crie outra raça, mais compassiva, para nos substituir.

Pois o Dilúvio Seco varreu-nos – não como um imenso furacão, nem como um fogo de barragem de cometas, nem como uma nuvem de gases venenosos. Não; como suspeitámos durante tanto tempo, é uma peste – uma peste que não infecta outra espécie que não a nossa e que deixará todas as outras Criaturas incólumes.” (Pág. 466).

Sinopse

“O Sol já brilha no céu, dando ao cinzento do mar o seu tom avermelhado. Os abutres secam as asas ao vento. Cheira a queimado. O dilúvio seco, uma praga criada em laboratório pelo homem, exterminou a humanidade. Mas duas mulheres sobreviveram: Ren, uma dançarina de varão, e Toby, que do alto do seu jardim no terraço observa e escuta. Está aí mais alguém? Um livro visionário, profético, de dimensões bíblicas, que põe a nu o mais ridículo e o mais sublime do ser humano, a nossa capacidade para a destruição e para a esperança. Negro, terno, inquietante, violento e hilariante, revela Margaret Atwood no seu melhor.”

Bertrand, 2011

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