Cidade Proibida – Eduardo Pitta

CIDADE PROIBIDA_PRComeço por falar do prefácio de Fernando Pinto do Amaral, por onde iniciei, de forma lógica, a leitura deste livro. Um prefácio excelente mas demasiado revelador. Recomendo a quem leia este livro que guarde o prefácio para o fim. Eu preferia ter descoberto as personagens por mim sem me sentir influenciada por outra opinião. Contudo não retirou interesse à leitura.

Gostei deste livro pela forma desempoeirada como está escrito, sem tabus e com uma naturalidade admirável. É uma história de amor e sexo mas, quanto a mim, vale mesmo é pela descrição satírica e algo irónica do que se pode chamar uma espécie de alta sociedade conservadora e preconceituosa. Portugal e os portugueses vistos sob o olhar de Rupert, um Inglês que não só observa os costumes e atitudes de um povo no geral, como em particular os comportamentos da família do namorado Martim.

Se por vezes senti que o rumo das descrições começava a cair numa banalidade romântica que procuro evitar, a crueza de alguns cenários equilibrou e trouxe o realismo necessário a este relato contemporâneo de uma sociedade preconceituosa e doente, em que todos ocultam quem verdadeiramente são. Rupert, de uma honestidade para a qual os portugueses não estão preparados (pelo menos os deste livro), sente-se preso numa cidade em só quer viver a sua vida e a sua relação com Martim mas na qual as suas escolhas devem ser demonstradas com, digamos que, bastante descrição. A pressão de viver com um “menino de boas famílias”, ele de origens humildes, vindo de um país com uma abertura diferente, dão constantemente a Rupert a sensação de se movimentar num local em que tem de pensar os seus passos e atitudes. Sente-se trancado numa cidade proibida.

Um livro que li rápido, não só por ser de pequena dimensão, mas porque acima de tudo me deixava sempre expectante com o que se passaria a seguir.

“Rupert sentia-se bem a viver em Lisboa e gostava dos portugueses, embora a vida portuguesa continuasse a ser para ele um mistério insolúvel. Por graça, mais de uma vez dissera que o Instituto devia promover um seminário sobre as idiossincrasias indígenas. “O que não falta são tópicos”, assegurava. Um deles era o vício do café. De facto ir à rua de propósito, nunca menos de três vezes por dia, com o propósito de tomar a famosa bica, parecia-lhe uma obsessão colectiva” (Pág.45).

Sinopse

“Uma história de amor e sexo passada em Lisboa, entre um filho de muito boas famílias, da melhor sociedade lisboeta, e um inglês que aqui trabalha como professor.
É um bom livro em que se fala livre e fulgurantemente de sexo, do prazer erótico e da transgressão.
Eduardo Pitta fá-lo com a mestria de um grande narrador.”

Planeta, 2013

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