A Velocidade dos Objectos Metálicos – Tiago R. Santos

avelocidadeUma das últimas leituras de 2013 e que ficou aquém das expectativas. Não me oferece muitos comentários pois a verdade é que não tive particular prazer ao ler este livro.

Não que esteja mal escrito, mas na verdade não me trouxe nada de novo. Um livro muito cru, corrosivo até, sobre o dia-a-dia de algumas pessoas, que se calhar são a maioria das pessoas… descrições bastante exactas acerca da sociedade actual, a decadência da juventude, a pobreza de espírito dos adultos, vidas familiares doentias e sem laços que sustentem e unam os seus membros, com certeza a base do vazio de toda uma sociedade triste, doente e sem rumo.

Vários testemunhos daquilo que já se sabe. Drogas, álcool, sexo e relacionamentos sem significado, sentido ou lógica, só porque existem corpos e os seus donos não encontram um caminho, antes vagueiam entre rotinas semanais e fins-de-semana de excessos.

Não que me considero puritana ou impressionável, mas valorizo vidas com objectivos. Ler sobre almas à deriva, apesar de espelhar bem uma realidade, não acrescentou nada à minha vida. Enriquecimento zero.

“Não é que o rapaz seja mau miúdo. Até há uns anos antes, ele conseguia sorrir e servia para levar à feiras. Quando era bebé, todos lhe queriam pegar ao colo. Mas agora, com esta idade, o que é que eu faço com ele? Ainda por cima, é daqueles que querem salvar a Terra e os animais e nem sequer come carne e os dentes dele estão piores, amarelados, acho que deve ser por isso mesmo, os homens são feitos para devorar os animais, foi assim que Deus nos criou. Mas que pessoas são estas? Leucemia. Isso é que era. Ou qualquer outra doença grave. Se o rapaz estivesse numa batalha épica contra a morte, anos a enfrentar médicos e hospitais sem nunca perder a esperança, crises repentinas e comas temporários, bem, se fosse esse o caso, aposto que eu chegava a primeiro-ministro.” (Pág.43)

“As pessoas preferem estar em casa a jantar, sentadas junto de mesas ou nos sofás com as suas televisões ligadas e os miúdos no chão enquanto fazem os trabalhos de casa. Todos eles a morrerem de cancro da alma e do coração sem nunca o desconfiarem, sem sintomas, e penso na sorte que tenho porque o meu corpo é inundado de dor e sinto-me um sábio, o detentor de um segredo que mais ninguém conhece, e eu sei o que é que são as sombras negras e rasteiras e o meu coração, mesmo ferido de morte com todas estas revelações, ainda bate.“ (Pág.58)

Sinopse

“Este é um livro intenso e surpreendente que questiona os valores do mundo em que vivemos. Partindo do universo repressivo de um Colégio de Lisboa, o livro segue a vida de alunos e professores, onde o passado e as experiências da adolescência estão sempre presentes, como tatuagens que nunca precisam de ser retocadas.
Este é um mundo em que a violência gratuita, o medo, a tentação do abismo e a amizade se manifestam de formas inesperadas. Deuses e homens procuram uma ordem, mas boicotam-se a eles próprios. Existências marcadas por encontros fortuitos entre pessoas tão estranhas que poderiam ser qualquer um de nós.”

Clube do Autor, 2013

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