Os Anjos Morrem das Nossas Feridas – Yasmina Khadra

livro_551Sempre gostei que me contassem histórias, por isso gosto tanto de ler. “Os Anjos Morrem das Nossas Feridas” é um excelente romance e Yasmina Khadra é, pelo menos neste livro, o único que li dele, um brilhante contador de histórias.

Uma escrita cheia de detalhes mas sem recorrer a artifícios desnecessários, uma narrativa linear como o decorrer do tempo. Assim conhecemos Turambo e o seu percurso pela vida. A miséria de uma infância na Argélia até ao topo da carreira de lutador de boxe nos anos 30, Turambo aprende duras lições com as suas fraquezas enquanto muito jovem, mas não menos duros são os ensinamentos depois de atingir fama e sucesso.

A natureza humana no seu melhor e o reverso quando o dinheiro e o poder se atravessam no caminho da amizade e do amor. A ingenuidade de Turambo não permite que a experiência lhe crie defesas, a sua carreira proporciona riqueza e estatuto a quem o rodeia mas pouco acrescenta à sua existência infeliz. Chegado ao fim, aprende a mais dura lição quando já nada pode fazer com esse ensinamento.

Um livro bonito mas duro, retrato de vidas sinuosas, de miséria, vícios e traições. Uma personagem principal de quem é fácil gostar e com quem o leitor se envolve, defende e quer proteger. Um final duro e injusto mas que convence completamente pela sua verosimilhança.

O sonho é o tutor do pobre – e o seu carrasco. Pega-nos na mão e passeia-nos por mil promessas a seu bel-prazer, até nos largar quando muito bem entende e lhe apetece. É um manhoso, o sonho, um psicólogo astuto: convence-nos a aceitar os nossos sentimentos como quem toma à letra a palavra de um mentiroso, mas assim que lhe confiamos o coração e o espírito, abandona-nos de repente a meio de uma derrota, e damos por nós sozinhos, com a cabeça cheia de vento e um vazio no peito – nada mais nos resta fazer senão chorar.” (Pág. 56).

Sinopse

“Dizia chamar-se Turambo, o nome da sua miserável terra na Argélia, onde nascera nos anos de 1920. Tinha uma candura desarmante e um gancho esquerdo imbatível. Frequentou o mundo dos ocidentais, conheceu a glória, o dinheiro, o frenesim dos ringues de boxe, e todavia nenhum troféu movia mais a sua alma do que o olhar de uma mulher. De Nora a Louise, de Aïda a Irène, procurava um sentido para a sua vida. Mas num mundo onde a cupidez e o êxito reinam como senhores absolutos, o amor corre por vezes grandes riscos.

Através de uma extraordinária evocação da Argélia de entre guerras, Yasmina Khadra apresenta, mais do que uma educação sentimental, o percurso obstinado de ascensão e queda de um jovem prodígio, adorado pelas multidões, fiel aos seus princípios, e que apenas queria ser senhor do seu destino.”

Bizâncio, 2013

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