Morte na Arena – Pedro Garcia Rosado

Capa Morte na ArenaBastante diferente de “Morte com Vista para o Mar”, “Morte na Arena” representa um salto qualitativo em relação ao romance anterior. Pedro Garcia Rosado continua a surpreender-me, e desta vez o nível de detalhe e realismo das descrições elevou bastante a fasquia do propósito de um policial. Muita emoção, situações limite e confirmam-se as cenas chocantes do aviso da capa.

Adequado a quem não se impressiona com muita morte, pois neste livro a pestilência salta das páginas para o nosso nariz. Um nível de detalhe que impressiona mas não desagrada, pelo menos quem aprecia o estilo e gosta de muita emoção, de ler muitas páginas como se não houvesse amanhã. Neste caso houve, pois li o livro em dois dias.

Não é fundamental que se leia “Morte na Arena” na sequência de “Morte com Vista para o Mar” mas é conveniente que assim seja, dado que esta é mais uma investigação de Gabriel Ponte. A vida pessoal de Gabriel tem novamente um grande peso neste romance e alguns desenvolvimentos surpreendentes.

Em Setembro passado participei num passeio pelas “cenas do crime” deste livro, numa iniciativa da editora e do autor, o grupo de que fiz parte conheceu todos os locais-chave da trama, o que me permitiu uma visualização da história de uma forma completamente diferente mas muito mais real. Pudemos também visitar e saber mais sobre o subsolo da Baixa de Lisboa, que me deu uma perspectiva excelente das cenas passadas nos subterrâneos, e me permitiu perceber o que motivou o autor a criar uma cidade debaixo da cidade que conhecemos. Uma ideia interessante mas muito assustadora.

Um livro que me convenceu e que me agradou. E que confirma Pedro Garcia Rosado com um talentoso escritor de policiais, sem receio de explorar alguns limites dos nossos medos.

Sinopse

“Quatro homens aparecem mortos num prédio devoluto, ao lado de um braço decepado que não pertence a nenhum deles. Com o passar dos dias começam a surgir outros membros humanos espalhados por Lisboa, até ser evidente que são partes do corpo de uma jovem de dezasseis anos, filha de um dirigente político, que foi assassinada e que estava desaparecida havia meses. 
As investigações destes casos estão a cargo da inspetora-coordenadora da PJ, Patrícia Ponte, ex-mulher de Gabriel Ponte, que enfrenta agora obstáculos dentro da própria PJ, além da pressão do ex-marido, que quer informações sobre o caso, e da jornalista Filomena Coutinho, que foi a causa da separação deles.
Os três acabam por descobrir um inferno escondido nos túneis subterrâneos de Lisboa: uma arena onde especialistas em combate corpo a corpo massacram homens e mulheres, numa imitação dos combates de gladiadores da Roma Antiga.”

Topseller, 2013

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