A livraria noite e dia do Sr. Penumbra, de Robin Sloan

sr penumbraÉ tão bom ler um livro que me “obriga” a ler sem parar.

Não vos vou falar de uma obra de arte da literatura. Não vos vou falar de um livro que é uma obra prima, nem de um livro que ler e reler e recordar o resto da vida.
Mas vou falar-vos de um livro que li com imenso prazer, que me fez voltar página sobre página, que vou guardar na memória com carinho.
Um web designer desempregado acaba por ir fazer o turno da noite para uma livraria que, para além de estar aberta 24 horas por dia, é diferente de qualquer livraria convencional.
A livraria tem duas partes: a que vende livros e a que funciona mais ou menos como biblioteca, com livros (nos quais Jannon está proibido de mexer) que vão sendo requisitados por clientes especiais. Uma das funções de Jannon é descrever os clientes, o seu estado de espírito, as suas peculiaridades.
E nestas descrições encontramos uma das partes mais interessantes do livro: o autor descreve-nos as personagens de tal forma que acabamos por imaginá-las de uma forma muito concreta.
Este livro tem uma série de camadas. Numa primeira fase fala-nos do desemprego, realidade para tantos de nós, de como começamos a busca desejando apenas o emprego de sonho, até à busca desesperada por algo que simplesmente pague as contas. Depois é inevitável a tão atual discussão sobre livros e ebooks. E chegamos ao, tão nosso conhecido argumento, de que “gostamos do cheiro dos livros”.
Falamos de imortalidade, de tecnologia, de computadores, de conhecimento antigo. Falamos dos limites do ser humano e dos limites das máquinas. Falamos de amizade. Falamos de imaginação e de sonhos. De objetivos.
E  forma como o escritor nos fala disto tudo é leve, interessante. E apesar de não ser um livro brilhante é um livro que me fez pensar e sonhar um pouco. Como eu gostava de ter uma livraria daquelas, pertencer a um “culto” daqueles.
Confesso que, a determinado ponto, já não podia ouvir falar da Google. Não sei se foi a Google que patrocinou este livro mas acho que o escritor se esticou um bocadinho. Até porque o problema deste livro é que é um livro demasiado atual em termos tecnológicos. Tenho para mim que daqui a 10 anos está completamente desatualizado. E um livro não é suposto desatualizar.
Quanto ao final do livro, não me surpreendeu nem me desapontou. É a solução possível e real… bem mais real que o resto do livro e compreendo quem acha que o livro merecia uma final surpreendente mesmo que irreal. Mas eu gostei. Muito mesmo.
“Não é fácil imaginar o ano 3012, mas isso não significa que não devam tentar”
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