” A sentinela” de Richard Zimler

Novidades Richard Zimler_19-09-2013

Ler “A sentinela” não foi, para mim, nada fácil. Não por falta de interesse da sua história nem por ser um romance de fraco nível literário. Pelo contrário, a narrativa é acutilante e fluida, evidenciando o talento do autor, um hábil artífice de palavras capaz de nos deslumbrar com a beleza da sua escrita. Foi uma leitura, espinhosa pela dureza e pela violência dos temas abordados, que me deixou a alma em carne viva. Ao percorrer este livro senti-me como se tivesse mergulhado nos mais negros e profundos recônditos da natureza humana. No entanto, a angústia deste embate acabou por ser contrabalançada pela força de alguns personagens, nomeadamente dos irmãos Monroe. O seu amor fraternal inabalável, mesmo perante circunstâncias atrozes, funciona na perfeição como contraponto à crueldade extrema e/ou à degradação moral exibida despudoradamente por outros, a começar pelo respectivo pai.

Assim, encaro “A sentinela” como um romance imbuído, também ele, de personalidade dupla; sendo um grito de denúncia sobre várias questões gravíssimas da nossa sociedade, acaba por se tornar também num testemunho da resiliência e da enorme capacidade para amar do ser humano.

Apesar de inquietante, gostei de o ler e não hesito em recomendá-lo.

Sinopse: 6 de julho de 2012. Henrique Monroe, inspetor-chefe da Polícia Judiciária, é chamado a um luxuoso palacete de Lisboa para investigar o homicídio de Pedro Coutinho, um abastado construtor civil. Depois de interrogar a filha da vítima, Monroe começa a acreditar que Coutinho foi assassinado ao tentar defender a perturbada adolescente do violento assédio sexual de algum amigo da família. Ao mesmo tempo, uma pen que o inspetor descobre escondida na biblioteca da casa contém alguns ficheiros com indícios de que a vítima poderá também ter sido silenciada por um dos políticos implicados na rede de corrupção que o industrial montara para conseguir os seus contratos.

Tendo como pano de fundo o Portugal contemporâneo, um país traído por uma elite política corrupta, que sofre sob o peso dos seus próprios erros históricos, Richard Zimler criou um intrigante policial psicológico, com uma figura central que se debate com os seus demónios pessoais ao mesmo tempo que tenta deslindar um caso que irá abalar para sempre os muros da sua própria identidade.

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