Tudo o que nunca te disse, de Romana Petri

tudo o que nunca te disseNunca tinha lido nada desta escritora e, apesar de ser muito recomendada pelos outros membros da Roda dos Livros, não estava nos meus planos mudar isso nos próximos tempos. Mas surgiu a oportunidade de um encontro com a escritora, uma espécie de apresentação deste “Tudo o que nunca te disse” e acabei por ir à pressa comprar um livro dela para ter, pelo menos, alguma informação e uma espécie de opinião formada aquando da conversa com a Romana Petri. Calhou ser este o único título disponível. Da escritora sabia que é Italiana, casada com um Português e que, por vezes, escreve sobre Portugal e os Portugueses (“A Senhora dos Açores” e “Esteja eu onde estiver”).
Do encontro com a escritora ficam fantásticas memórias. Ela, para além de ser uma simpatia, é uma contadora de histórias, que enche uma sala e nos prende nas palavras.
Não estava de todo preparada para este livro nem para os tons cinza da sua escrita. Ainda bem. É ótimo quando um livro nos surpreende.
No orignal o título do livro é “Ti Spiego” que significa algo como “Explico-te”. Não posso dizer que este “Tudo o que nunca te disse” nada tem a ver com o conteúdo do livro, mas está demasiado colado ao “As palavras que nunca te direi” para me permitir ter uma ideia real do seu significado.
Porque esta não é uma história de amor. De todo. É uma história de desamor. Mário e Cristiana estão divorciados há 15 anos, têm dois filhos e cada um voltou a casar. Ele, atualmente no Brasil com a mulher mais nova e o filho bebé, ela em Itália com o companheiro e os filhos de ambos. Mário, numa aparente tentativa de reviver a sua juventude com alguém com quem a partilhou inicia uma troca de correspondência que os irá levar, numa espécie de jogo, às profundezas mais negras do seu casamento.
Neste livro apenas conhecemos o lado de Cristiana, as respostas aos comentários, às provocações e finalmente, quando o jogo muda, o exorcizar de uma série de situações que nos horrorizam.
Ao mesmo tempo que vamos conhecendo o casal Mário e Cristiana conhecemos um outro, Mimmo e Elsa, que num segundo plano são demasiado importantes para eles, são o molde onde Mário se inspira para enegrecer ainda mais uma relação que começou mal. Os como, os porquê vamos percebendo ao longo do livro. As verdadeiras razões para que Mário comece este jogo só se tornam claro no final e dependerá de Cristiana vencer ou não, porque afinal “vence aquele que menos sofre”.
Não é possível ler este livro sem um arrepio, sem a consciência que muito ficou por dizer, que a realidade de Cristiana é a realidade de muitas mulheres por esse mundo fora, uma realidade negra, transversal à nossa sociedade, que corrompe, destrói e que é preciso uma enorme coragem para alcançar a liberdade. Mas este livro não deixa de ser uma réstia de esperança e a prova de que nunca é demasiado tarde para recomeçar

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