À conversa com… Romana Petri (Lisboa, 26 de julho)

971360_548127248580728_250117220_nA Roda dos Livros saiu fora de portas e esteve à conversa com Romana Petri. O evento teve lugar em Lisboa, no passado dia 26 de julho ao fim da tarde, tendo reunido os elementos do clube de leitores, assim como outros interessados que participaram na sessão com a escritora italiana cuja passagem por Lisboa coincidiu com a publicação do seu novo romance “Tudo o que nunca te disse” publicado no mês passado.

A sessão contou igualmente com a presença de Diogo Madre Deus, o tradutor do novo romance da escritora, tendo partilhado alguns dos desafios que sentiu no decorrer do processo de tradução da obra em apreço.

O ambiente simpático e descontraído que se fazia sentir no pequeno auditório deu origem a uma sessão algo intimista contribuindo para que a escritora se sentisse completamente à vontade para falar sobre a sua carreira como escritora e, claro, sobre as suas obras.

Foi neste ambiente que Romana Petri contou muitas histórias da sua vida relacionadas com os seus livros, assim como detalhes curiosos que estão por detrás de livros e personagens que são do conhecimento dos seus leitores. Durante a sessão assistiu-se a um desfilar de personagens dos vários livros de Romana Petri sem que se obedecesse a uma ordem em especial. Sentia e contava!

149300_652606798085489_1531829323_nSão já nove as obras de Romana Petri publicadas em Portugal desde 1997, tratando-se, pois, de uma escritora que dada a sua ligação a Portugal, acabou por dedicar algumas das suas obras ao nosso país, não esquecendo algumas das ilhas dos Açores que serviram de cenário para os seus primeiros romances, nomeadamente “O Baleeiro dos Montes” passado maioritariamente na ilha das Flores, “A Senhora dos Açores” e “Regresso à Ilha” que têm o Pico como pano de fundo. Se no primeiro caso, a escritora traz para a literatura um tema que é muito querido às gentes dos Açores, especificamente a caça à baleia que foi proibida nos idos anos 80, por outro lado, nos outros dois romances, Romana Petri transporta para a escrita toda uma tradição de raízes culturais assente na forte emigração para os EUA e Canadá, do mesmo modo que através de vários rituais do dia-a-dia e de todos aqueles que cumprem o seu dever no calendário não foram esquecidos. Um aspeto fundamental que não posto de lado nestas obras tem a ver com as fortes recordações dos vivos ligadas aos antepassados que funcionam como que uma linha muito ténue que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos.

1003160_548126418580811_974076693_n“Esteja Eu Onde Estiver” é uma dedicatória de Romana Petri à cidade de Lisboa retratando com rigor a nossa capital durante um período aproximado de meio século desde os anos 40 até quase ao fim do século passado. Aqui, a escritora consegue fazer-nos recuar a memórias que, em muitos casos, não são nossas, mas sim de familiares idosos, outros que já partiram, mas cujas vidas e ambientes por onde passaram não difere muito daquilo que esta obra nos conta. Este livro em particular poderá ter o mesmo efeito do turístico elétrico 28 em que podemos viajar por locais e espaços emblemáticos de Lisboa que, em muitos casos, pouco diferem das descrições apresentadas por Romana Petri. “Esteja Eu Onde Estiver” é simultaneamente um elogio às mulheres lutadoras que não se deixam vergar pelas agruras da vida, sejam quais forem as condicionantes em questão.

Já o livro “Case Venie – Uma Guerra na Úmbria” retrata a história da resistência na região italiana da Úmbria face à invasão alemã durante a 2ª Guerra Mundial. Este livro tem a sua continuação em “Tutta la Vita”, obra que ainda não se encontra publicada em Portugal.

Segundo Romana Petri, o romance que levou mais tempo a escrever foi “O Fabuloso Destino de Dagoberto Babilonio”, num total de aproximadamente cinco anos. Partindo de uma notícia de jornal sobre o falecimento de um jovem com o nome de Dagoberto Babilonio, a escritora sentiu-se inspirada para escrever um livro com este título. Segundo a escritora, este livro apresenta o seu ideal de homem numa visão quixotesca tendo em consideração que Dagoberto Babilonio abandona a América do Sul de onde é natural partindo em direção à Europa onde participa na Guerra Civil Espanhola, não esquecendo muitas venturas e desventuras do personagem que, desta forma, contribuíram para a realização do seu destino.

Em “Tive de o Matar”, Romana Petri apresenta-nos a história de Lulu que é uma professora que ensina numa penitenciária feminina. Divorciada e com um filho pequeno, sente vontade de pôr em prática um plano de vingança em nome da justiça com a ajuda de alguns personagens da História, tais como, Ricardo Coração-de-leão, Carlos Magno e Alexandre, o Grande, tendo um fim imprevisível…

“Pais dos Outros” é uma das obras singulares da escritora tendo tido várias edições no nosso país. Trata-se de um livro de contos que tem as crianças e os adolescentes como principais protagonistas, desempenhando aqui o papel de vítimas face às sucessivas agressões físicas, psicológicas e emocionais a que estão sujeitos por parte dos seus pais (homens), não esquecendo as consequências que daí advêm e as dificuldades em ultrapassar traumas que nalguns casos a violência conduz mesmo ao suicídio perante a incapacidade de lidar com os fantasmas do passado.

Tudo o que Nunca te Disse - Romana Petri

No que respeita ao novo romance “Tudo o que nunca te disse” publicado recentemente, Romana Petri apresenta-nos uma obra complexa que tem a violência doméstica como pano de fundo. À medida que lemos as primeiras páginas, não sabemos muito bem o desenrolar da história, nem tão-pouco a forma como somos aprisionados numa espiral de violência essencialmente psicológica por parte de Mario em relação à sua esposa Cristiana, agora divorciados há quinze anos. O livro é-nos apresentado sob a forma epistolar e sempre de modo unilateral na medida em que gradualmente vamos tomando conhecimento dos contornos da relação conturbada do casal até ao “grito decisivo” de Cristiana na esperança de poder voltar a viver e… amar. “Tudo o que nunca te disse” volta a destacar Romana Petri como uma das escritoras contemporâneas de renome que não tem deixado muitos leitores indiferentes.

“A vida é uma competição onde quem sofre menos ganha.” (p. 174)

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4 pensamentos sobre “À conversa com… Romana Petri (Lisboa, 26 de julho)

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  2. Foram, sem dúvida, horas memoráveis e muito interessantes que voaram rápido nas asas da simpatia e de espírito aberto da Romana Petri.

  3. Como referi anteriormente, foi um passo de gigante dado pela Roda, uma tarde inesquecível entre amigos, que culminou num jantar muito agradável. Ainda bem que consegui ir, foi muito bom mesmo.

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