Cidade Aberta

Cidade Aberta Um bom amigo questionou-me sobre este livro e senti-me em falta, porque há muito adiava a emissão desta mesma opinião.

Não é um livro fácil e sequer é para toda a gente. Mais, sequer é para mim em qualquer momento. A dificuldade não está na escrita, ligeira e escorreita, quase como se falássemos connosco próprios, ou expressássemos alto pensamentos e acções, para assim melhor os processarmos ou memorizarmos, mas porque é um livro introspectivo de um solitário que deambula por uma cidade tão cosmopolita e multicultural como Nova Iorque e uma breve incursão de quinze dias em Bruxelas. Um mundo tão civilizado e evoluído que a tantos envolve de solidão e alguma melancolia. E por isso, afirmo que é um livro que provoca sentimentos contraditórios e opostos em diferentes pessoas – de amor e ódio.

Julius é um jovem psiquiatra nigeriano que era um atento observador de tudo e todos que o rodeavam nas suas deambulações diárias pelas ruas e interpretava o muito que via e ouvia e assim nos dá um quadro vivo da cidade com as suas especificidades e os seus habitantes, marginais devido às suas acções ou opções.

Um outro olhar consciente e lúcido sobre a cidade e os transeuntes que com ele encetam por vezes breves, vagas e até significativas conversas e derrubam algumas ideias preconcebidas que temos. Muçulmanos e africanos como vivem e o que motivou a imigração/ migração e o que lhes é caro.

“Os passeios vinham ao encontro de uma necessidade: eram uma libertação do ambiente mental que vigorava no trabalho, com as suas regras apertadas, e mal percebi que eram uma boa terapia tornaram-se algo absolutamente normal, ao ponto de me esquecer como era a minha vida antes dessas caminhadas. No trabalho imperava um regime de perfeição e de competência que impedia a improvisão e era intolerante para com o erro. (…)As ruas serviam como um oposto, bem vindo a tudo aquilo. Cada decisão – onde virar à esquerda, quanto tempo ficar parado a ver o pôr do sol sobre Nova Jérsia ou ir a passo largo por entre as sombras no East Side e atravessar em direção a Queens – não tinha consequências de maior e era, por essa razão, um bom indicador da liberdade.”

Um romance peculiar.

Sinopse:

Julius, um jovem médico nigeriano, deambula sem destino através das ruas de Manhattan. Caminhar liberta-o do ambiente tenso da sua profissão e oferece-lhe o espaço necessário para pensar no relacionamento com os outros, na recente separação da namorada, no presente e no passado. Nesta caminhada por Nova Iorque, os milhares de rostos por que passa não atenuam o seu sentimento de solidão, pelo contrário.
 
Mas não se trata aqui apenas de uma paisagem física: Julius atravessa também um território social, cruzando-se com pessoas de diferentes culturas e origens, com quem partilha um cidade, um imaginário e sonhos impossíveis.
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Um pensamento sobre “Cidade Aberta

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