O Apogeu de Miss Jean Brodie – Muriel Spark

jeanbrodieCheguei ao fim deste livro sem perceber exatamente o que sinto por Miss Brodie, líder de um grupo de alunas de quem é professora na Escola Marcia Blaine. O “grupo Brodie” rege-se pelas ideias da sua mentora, que define o futuro das meninas, traçando os papeis que estas devem assumir no futuro.

Extremamente controladora, Miss Brodie, acha-se no direito (ou dever) de criar as regras que todas devem seguir. Fá-lo porque está no seu apogeu, supostamente nos píncaros da sua existência. Confesso que não entendi porque achará ela que está no apogeu, mas não faz mal pois eu acho que a Miss Brodie também não faz ideia.

Jean Brodie quer ser inspiradora, um exemplo a seguir, uma figura marcante e inesquecível por toda a vida das suas meninas. Com as suas dicas preciosas elas serão as melhores, “a nata da nata”.

A minha opinião sincera é que Miss Brodie não passa de uma solteirona controladora, profeta de frases ocas continuamente repetidas. Como todos os professores marcantes lá vai definindo e criando sementes das suas ideias nas cabeças das alunas que, inevitavelmente, se tornam umas pequenas pestes calculistas e que acabam por trair a mestra. Miss Brodie luta para descobrir qual das suas protegidas a atraiçoou.

Tenho de dar grande destaque à escrita de Muriel Spark. Foi unicamente a sua habilidade descritiva e criativa que me manteve interessada a ler sobre um grupo de mulheres patetas. Tal é o nível literário da autora que pude sentir Miss Brodie a acompanhar-me diariamente, sempre a dar-me conselhos práticos sobre coisas tão banais como ter uma boa postura, ser uma senhora, aproveitar o meu apogeu e pertencer à nata da nata.

Juro que me fartei da palavra “apogeu”.

Muriel Spark cria ambientes de verdadeira conspiração feminina nas reuniões para o chá. Miss Brodie defende as suas técnicas de ensino como as melhores e superiores, e manipula sem rodeios as alunas de modo a prosseguir com os seus intentos. É extraordinária a forma como os saltos temporais nos vão dando um vislumbre do futuro, contrapondo as metas alcançadas pelas alunas com os objetivos previstos (pela Miss Brodie, claro), não percebi como é possível que Spark o faça tão bem, genial!

””Eu sou a sua musa”, disse Miss Brodie. “Mas renunciei ao ser amor para dedicar o meu apogeu às meninas que estão aos meus cuidados. Eu sou a sua musa mas Rose tomará o meu lugar.”

Ela julga-se a Providência, pensou Sandy, pensa que é o Deus de Calvino, vê o início e o fim. E Sandy pensou, também, a mulher é lésbica e não tem consciência disso. Havia muitas teorias nos livros de psicologia que classificavam Miss Brodie, mas não eram capazes de apagar a sua imagem das telas do maneta Teddy Llyon.” (Pág. 141)

Sinopse

Miss Jean Brodie é uma professora singular. Romântica, heróica, cómica e trágica, as suas ideias são avançadas, entrando em conflito com as convenções estabelecidas. E quando decide transformar um grupo de jovens raparigas sob a sua tutela na nata da nata da escola Marcia Blaine, às quais inculca as suas ideias morais e estéticas com o propósito de lhes evitar um futuro de rotina e vulgaridade, ninguém consegue prever o que acontecerá.

AHAB, 2010

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4 pensamentos sobre “O Apogeu de Miss Jean Brodie – Muriel Spark

  1. Parece bastante interessante! Faz-me lembrar aquele filme com a Julia Roberts, O Sorriso de Mona Lisa. Só que aí o papel da professora era precisamente o contrário…

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