Debaixo de algum céu

debaixodealgumceuHoje visitei a Feira do Livro de Lisboa e reparei no destaque que este livro tem em muitas das bancas como vencedor do Prémio Leya 2012. Na passada semana, fui a uma apresentação do referido livro na Livraria Buchholtz porque tinha alguma curiosidade em conhecer o autor e perceber como se exprimia oralmente. Gostei muito do que assisti.

Romance maravilhoso que li e reli pelo cuidado com as palavras que expressam sentimentos profundos. 

Não é um livro fácil de ler pelo muito que em si contêm, mas recuso-me a considerá-lo como alegoria do mundo contemporâneo. Desencanto, desalento e solidão apesar de fazerem parte de muitas vidas não são um padrão.

A sinopse define bem do que se trata, mas citando o autor no prologo:

“Uma história são pessoas num lugar por algum tempo. As margens da página, como o silêncio, estabelecem limites certos para que um conto não se confunda com o que não lhe pertence.  Pode contar-se uma história enchendo uma caixa vazia ou desenhando paredes à volta de gente. Esta é uma história de portas adentro. “

Belo? Pois é. Todo o livro o é. Mas, “as palavras são difíceis (…). O sofrimento é único para cada homem e para cada mulher, são infinitas as dores e poucas as palavras que lhes dão nome: desgosto, arrependimento, comiseração, tristeza, pesar, mágoa, lástima, aflição, angústia, nojo, desolação, comoção, choque, amargor. Faltam termos e sobram as horas más.” (pag.73)

E assim é até ao final, com tanto para sentir, através das várias personagens que habitam naquele prédio e gerem difíceis existências.

Talento no uso das palavras. Um compreensível vencedor do prémio Leya, mesmo para alguém como eu tão reticente em ler autores portugueses. Para ler baixinho, em voz alta, ou para dentro, como melhor conseguir interiorizar esta brilhante narrativa.

Sinopse:

Num prédio encostado à praia, homens, mulheres e crianças – vizinhos que se cruzam mas se desconhecem – andam à procura do que lhes falta: um pouco de paz, de música, de calor, de um deus que lhes sirva. Todas as janelas estão viradas para dentro e até o vento parece soprar em quem lá vive.

Há uma viúva sozinha com um gato, um homem que se esconde a inventar futuros, o bebé que testa os pais desavindos, o reformado que constrói loucuras na cave, uma família quase quase normal, um padre com uma doença de fé, o apartamento vazio cheio dos que o deixaram. O elevador sobe cansado, a menina chora e os canos estrebucham. É esse o som dos dias, porque não há maneira de o medo se fazer ouvir.
A semana em que decorre esta história é bruscamente interrompida por uma tempestade que deixa o prédio sem luz e suspende as vidas das personagens – como uma bolha no tempo que permite pensar, rever o passado, perdoar, reagir, ser também mais vizinho. Entre o fim de um ano e o começo de outro, tudo pode realmente acontecer – e, pelo meio, nasce Cristo e salva-se um homem.
Embora numa cidade de província, e à beira-mar, este prédio fica mesmo ao virar da esquina, talvez o habitemos e não o saibamos.
Com imagens de extraordinário fulgor a que o autor nos habituou com o seu anterior romance, Debaixo de Algum Céu – obra vencedora do Prémio LeYa em 2012 – retrata de forma límpida e comovente o purgatório que é a vida dos homens e a busca que cada um empreende pela redenção.

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