Destinos Interrompidos – Lissa Price

destinosinterrompidos“Distopia ou anti utopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma “utopia negativa”. As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controlo da sociedade. Nelas, caem as cortinas, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controlo, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações.

Distopias são frequentemente criadas como avisos ou como sátiras, mostrando as atuais convenções sociais e limites extrapolados ao máximo. Nesse aspeto, diferem fundamentalmente do conceito de utopia, pois as utopias são sistemas sociais idealizados e não têm raízes na nossa sociedade atual, figurando em outra época ou tempo ou após uma grande descontinuidade histórica.” Wikipédia

A verdade é que, apesar de existirem na literatura, desde há muito tempo, diversos exemplos de criações distópicas, “Destinos Interrompidos” foi a minha estreia neste género. Talvez por achar pouco credível ou por preferir sempre ler acerca daquilo que conheço, nunca senti vontade de experimentar e analisar. Confesso que na realidade ainda não tinha compreendido o conceito de distopia, todas as suas implicações, e até onde se pode ir na dissertação do real.

“Destinos Interrompidos” surgiu de forma inesperada, o preconceito era grande mas a curiosidade levou a melhor. Uma leitura diferente, que encarei com desconfiança, mas que a cada página me prendeu de forma surpreendente.

Num mundo destruído, pelo menos tal como o conhecemos, Callie vive numa situação limite. Numa constante luta entre a fome e a fuga, órfã, tenta cuidar o melhor possível do irmão mais novo Tyler. A solução que Callie encontra é alugar o seu corpo para melhorar as suas condições; uma espécie de prostituição não só do corpo mas também da alma. Nas mãos da Destinos Primordiais, a organização que gere o aluguer de corpos jovens aos séniores (chamados aqui Terminantes) da sociedade, Callie inicia uma viagem doentia e extrema.

Partindo sempre da premissa da nobreza dos seus sentimentos como razão para se vender e deixar controlar, é de forma amarga que esta “heroína” se apercebe que os seus passos, a sua vida, serão monitorizados, seguidos e controlados para sempre.

No entanto, num dos alugueres, apercebe-se que está a ser usada pela sua locatária num plano homicida. Deixando de ser ela própria e agora controlada em “duas frentes”, Callie adere à causa e inicia a sua luta para derrubar a Destinos Primordiais.

Num espaço e tempo em que nada é real e tudo pode ser potencialmente teatral, é difícil discernir o certo e o errado, assim como o que se possa esconder em cada atitude.

Uma leitura que verdadeiramente me interessou e fez pensar, que talvez peque por não ter uma qualidade literária superior, mas que compensa na emoção e interesse da narrativa.

Na minha opinião a história de amor entre Callie e Blake está a mais, mas compreendo as razões da autora em cativar o seu público-alvo. Apesar deste romance ter um final bonito, não posso deixar de considerar pouco credível e descontextualizado.

Considero sem dúvida uma experiência muito positiva, que me enriqueceu e me deu a conhecer um novo destino desta aventura que é ler.

Sinopse

“Callie tem dezasseis anos e vive com Tyler, o irmão mais novo, e Michael, um amigo, nos escombros da cidade de Los Angeles. Quando as Guerras dos Esporos rebentaram, matando todos aqueles que tinham mais de vinte anos e menos de sessenta, Callie perdeu os pais. Como muitos outros Iniciantes, teve de aprender a sobreviver, ocupando prédios desabitados, roubando água e alimentos, fugindo aos Inspectores e combatendo os Renegados. Para tirar Tyler das ruas e garantir ao irmão uma vida melhor, Callie só vê uma solução: oferecer a sua juventude à Destinos Primordiais, uma empresa misteriosa que aluga corpos adolescentes aos velhos Terminantes – seniores, com centenas de anos, que querem ser jovens outra vez. Tudo corre como previsto, até o neurochip que lhe colocaram na cabeça avariar. Callie acorda, de súbito, na vida da sua locatária, a viver numa luxuosa mansão, a guiar carros topo de gama e a sair com o neto de um senador. A vida quase parece um conto de fadas, até Callie descobrir que a sua locatária não quer apenas divertir-se e que, no mundo perverso da Destinos Primordiais, a sobrevivência é apenas o começo.”

Planeta, 2013

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