Como Tudo Começou – Penelope Lively

comotudocomecou Quando escolhi ler este livro, não reconheci a autora de um outro romance que li- Consequências – mas, rapidamente compreendi de quem se tratava porque reconheci o estilo e as carateristicas da narrativa.  Mais contido,  talvez um tanto descritivo mas rico na análise humana e nas circunstâncias que levam a sentimentos, pensamentos e ações, com o foco no real, possível e até trivial quotidiano. Para quem aprecia romances com fortes emoções, personagens perfeitas/ ideais e bem sucedidas, este romance é uma desilusão. Claro que reflete muito o ambiente inglês e as personagens são bem definidas mas marcadamente britânicas com a altivez e alguma soberba dos nobres como Lord Peters (sua excelência, como a ele se referia sarcasticamente Charlotte).

Nesta narrativa temos as histórias de Charlotte, Rose e Gerry, Anton, Jeremy e Stella, Marion, Henry  e Mark. “As histórias são caprichosamente desencadeadas porque, certo dia, algo aconteceu a Charlotte na rua. ” Charlotte é a personagem principal deste romance. Uma personagem madura que faz interessantes considerações e que me pareceu demonstrativa da qualidade da escrita desta autora. As palavras fluem, ágeis e rápidas e eloquentes num ritmo sereno mas cativante.

“Sozinha em casa, retoma a sua vida. Recebe visitas de amigos e vizinhos: na verdade não está sozinha. O  mundo rodeia-a e ela vive num presente insistente. Porém, os seus pensamentos encontram-se muitas vezes, no passado. Aquela paisagem interior evanescente, penetrável, instável que só ela conhece, aquele amontoado de informação do qual uma pessoa depende (sem o qual não seríamos nós mesmos); impossível de partilhar e, seja como for, indivisível para qualquer um. O passado é a nossa irrevogável privacidade; nós acumulamo-lo, anos após anos, década após década; é guardado com o seu perverso sistema de memória aleatório. Lembramo-nos de excertos, os conteúdos incompletos esfarrapados da mente. A vida traduz-se nisto.”  (pag.256/7)

Dependendo das expetativas e interesses do leitor, este romance pode ser apreciado ou rejeitado. Eu pessoalmente gostei muito. Apreciei a escrita e as personagens que considerei verossímeis, coerentes e bem definidas, enquadradas numa crise/ recessão bem real que reconhecemos.  Um romance atual, distante do sonho, fantasia e perfeição que tanto almejamos, mas com um final … que não é o final das histórias, porque “um final é um dispositivo artificial; nós gostamos de finais, são satisfatórios, convenientes e têm um propósito. No entanto, o tempo não tem um final e as histórias sucedem-se ao ritmo do tempo. De igual forma, a teoria do caos não pressupõe um final; o efeito em cadeia contínua, inquebrável. Estas histórias não tem um final; elas seguem em diferentes direções, cada uma no seu próximo caminho.” (pag. 256)

Sinopse: 

Quando Charlotte é assaltada e fratura a anca, a sua filha Rose não pode acompanhar o patrão, Lord Peters, a Manchester, por isso a sobrinha dele, Marion, tem de ir no seu lugar; Marion envia ao amante uma mensagem escrita que é intercetada pela mulher… e isto é apenas o início de uma cadeia de acontecimentos que irão alterar várias vidas. 

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3 pensamentos sobre “Como Tudo Começou – Penelope Lively

  1. Escreve muito bem sobre quotidiano e conflitualidade de personalidades. Depende da tua disposição/ disponibilidade e expetativas. Não te conheço ainda bem para opinar.

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