As Mulheres Nunca Envelhecem – Iaia Caputo (Cavalo de Ferro)

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É com humor e muita assertividade que Iaia Caputo desconstrói o mito da eterna juventude que à descoberta da primeira ruga mais evidente no rosto confronta a mulher com um claro sentimento de perda, a juventude que vai fugindo por entre as mãos prisioneiras do tempo que, aos poucos deixam as suas marcas. A par da natural perda, Iaia Caputo apresenta um mar imenso de possibilidades na tentativa de contrariar esse tempo que passa por todos nós procurando, dessa forma, um sentido prático e repleto de humanidade que conduz à realização do ser humano. Iaia Caputo estabelece as devidas diferenças entre envelhecer num corpo e cabeça de mulher e envelhecer num corpo e cabeça de homem e as conclusões estão bem evidenciadas: somos todos, homens e mulheres, prisioneiros dos mitos que todos, em conjunto, criamos. As Mulheres Nunca Envelhecem é um livro atual, sem demagogias e repleto de humanidade e sentido de humor.

Excerto:

Iaia Caputo

“Seremos porventura livres, não digo de envelhecer, que ainda não chegou o momento, mas ao menos de deixar para trás com uma certa serenidade — mesmo que melancólicas, maldispostas e sem prescindir de um toque coquete — o esplendor da juventude, a pele lisa e rosada, a máxima tensão das linhas do rosto, sem que por isso tenhamos de nos sentir rejeitadas, pessoas de segunda categoria, simulacros de mulher? Afinal, deixam-nos ou não fazer as pazes com as rugas, os pés-de-galinha, a acne rosácea, as pálpebras pesadas — com a própria força da gravidade, ao fim e ao cabo! — e com toda essa série de infinitos e implacáveis sinais de declínio que os anos trazem consigo? Podemos? Dão-nos licença? A resposta é: não. Parece que uma conspiração encheu o mundo inteiro — ou pelo menos este cansado, decrépito e por ora ainda rico cantinho de mundo — de uma sinalética ameaçadora e intransigente, da qual se destaca a ordem: PROIBIDO ENVELHECER.

Nas nossas sociedades, em que a esperança de vida é cada vez mais elevada e a natalidade cada vez mais baixa, a única possibilidade que se oferece à velhice é a de se renegar a si mesma. O velho só é tolerado se assumir pose de jovem, se se parecer com um jovem, se fizer de conta que é jovem.” (p. 27)

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4 pensamentos sobre “As Mulheres Nunca Envelhecem – Iaia Caputo (Cavalo de Ferro)

  1. Interessante tema. Saber envelhecer é a chave de se viver bem. Não aceitar essa condição de vida tem consequências terríveis. Não me parece grave a expectativa de que os velhos se sintam jovens. Podem fazer tudo o que os jovens fazem, ou quase tudo, mesmo que de uma maneira diferente e com um ritmo diferente. Odeio a depressão nos idosos. É um fenómeno muito preocupante e angustiante.

    • De um modo geral, o ser humano tem dificuldade em aceitar que envelhece cumprindo, desse modo, o ciclo vital a que está sujeito. Saber envelhecer é a chave para o sucesso e, acima de tudo, de todas as pessoas encararem com otimismo essa fase da vida. Descobrir as imensas possibilidades que cada um pode fazer durante essa fase da vida é outra das facetas que caberá a cada um.

    • “As Mulheres Nunca Envelhecem” de Iaia Caputo é mesmo um belíssimo ensaio que com humor e humanidade retratam aquela fase da vida que todos nós menos ansiamos. Recomendo vivamente!

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