O Céu é dos Violentos – Flannery O’Connor (Cavalo de Ferro)

51 Flannery O'Connor

Flannery O’Connor é um dos nomes incontornáveis na literatura norte-americana do século XX. Basta ler alguns contos da escritora ou um dos dois romances publicados pela escritora para rapidamente se entrar no mundo obscuro e absurdo do fanatismo religioso vivido nos estados do sul dos EUA dos anos 50 e 60.

 

 

 

O_CEU_E_DOS_VIOLENTOS_1282988012P

O Céu é dos Violentos conta a história do adolescente Francis Tarwater que ao ter sido raptado pelo seu tio-avô que se considerava profeta, poderia, deste modo, levar uma vida devotada a Nosso Senhor. Mas a loucura e o fanatismo destas duas criaturas era levada de tal forma em extremo que a educação deste jovem levou-o a cometer os atos mais ignominiosos e grotescos de uma forma tão naïve quanto pueril, mas sempre em nome de Deus.

Os demais personagens do livro até podem não ser violentos nos seus atos, mas são-no nos seus pensamentos. Afinal, todos pertencem a uma mesma comunidade, fechada, conservadora, profundamente religiosa, cega e louca.

Flannery O’Connor em O Céu é dos Violentos consegue uma vez mais chocar o leitor com a forma quase cruel da forma como escreve, descrevendo com perícia e humor negro os ambientes hostis de que era bem conhecedora.

9789899751415

 

 

O Céu é dos Violentos e Sangue Sábio são os dois romances de Flannery O’Connor que se encontram publicados num único volume nas Edições Theoria.

Anúncios

2 pensamentos sobre “O Céu é dos Violentos – Flannery O’Connor (Cavalo de Ferro)

  1. Li este livro na versão original (“The Violent Bear It Away”) e este é um daqueles casos em que acho que, por muito bom que seja o tradutor, traduzir a obra é um crime. Tanto a caracterização das personagens como a própria recriação do ambiente fundamentalista de alguns Estados do Sul dos EUA passam pelas particularidades da linguagem utilizada e até pela forma como as frases são construídas, particularidades essas cuja distinção do inglês-padrão é subtil, peculiar e intraduzível para outra língua. Sem a “voz sulista”, ou com uma tentativa de reprodução da “voz sulista” em português (não sei o que seria pior), este livro perderia grande parte do seu encanto.

    Na altura em que o li, fiquei impressionadíssima com a força das personalidades em jogo, a descrição impiedosa que delas é feita e os extremos a que chegam as suas acções. É um livro fantástico sobre o bem e o mal, sobre até onde a percepção distorcida do bem poderá justificar o mal e sobre a fronteira ténue entre convicções inabaláveis e perversidade disfarçada de boas intenções.

    Aconselho vivamente, e, se alguém o quiser ler em inglês, terei todo o gosto em fazer rodar o meu exemplar.

    • Ol Snia,

      Quem l a obra em portugus fica sempre com a sensao de todo o universo descrito ser impossvel de transitar completamente na nossa lngua ou em qualquer outra. A lngua inglesa com o sotaque sulista transporta em si mesma toda a carga cultural, ideolgica e conservadorismo de toda uma regio excessivamente complexa em todos os aspetos. Para alm de *O Cu dos Violentos*, recomendo igualmente o outro romance de Flannery O’Connor intitulado *Sangue Sbio*, no esquecendo os livros de contos *Um Bom Homem Difcil de Encontrar* (at este ttulo faz mais sentido com sotaque sulista)* *e *O Gernio*. S me falta ler o outro livro de contos *Tudo o que sobe deve convergir*. A obra completa de Flannery O’Connor encontra-se traduzida em lngua portuguesa. Descubram Flannery O’Connor!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s