Não Humano – Osamu Dazai (Eucleia Editora)

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Osamu Dazai (1909-1948) é um dos escritores mais importantes da literatura japonesa do século XX. Não Humano foi a sua última obra publicada em 1948 sendo também a única traduzida em português.

Yozo era uma criança diferente de todas as outras crianças. Tinha medo de todos os outros humanos à sua volta que mesmo gostando muito dele isso afligia-muito, dilacerando-o mesmo profundamente. Yozo sempre desejou ser pintor, mas o seu sonho ficou por concretizar porque o seu pai obrigou-o a frequentar um outro curso. Assim que chegou a Tóquio, Yozo sentiu-se ainda mais sozinho e deprimido ainda que estivesse no meio de milhões de pessoas. Só a ideia de poder eventualmente cruzar-se nas ruas com algum rosto conhecido assustava-o tremendamente. Um amigo ajudou-o a conhecer a grande cidade assim como iniciou-o nos mistérios do sexo e da bebida. A sua dificuldade em integrar-se na sociedade era de tal forma grande que Yozo encarava o sexo e a bebida como os seus principais neutralizantes para o dia-a-dia entrando numa espiral de dependência e depressão.

Excertos:

“Ouvi, depois, uma palestra sobre a economia marxista, proferida por um jovem senhor, extraordinariamente feio, que era o convidado de honra. Tudo o que ele disse pareceu muito óbvio, e sem dúvida verdadeiro, mas tinha a certeza que algo mais obscuro e mais assustador se escondia nos corações dos humanos. A ganância não o cobria, nem a vaidade. Nem era uma simples combinação de luxúria e ganância. Não estava convicto do que seria, mas tinha a certeza de que havia algo inexplicável no fundo da sociedade hmana que não podia ser redutível a economia.” (pp. 46-47)

“Tentei, na medida do possível, evitar envolver-me nas complicações sórdidas do ser humano. Tenho medo de ser sugado pelos seus remoinhos sem fundo.” (p. 61)

“A maioria das mulheres só tem de fixar os olhos em ti para quererem fazer algo por ti de forma tão intensa que nem aguentam… És sempre tão tímido, mas mesmo assim engraçado… Por vezes, ficas terrivelmente só e deprimido, mas isso só faz o coração de uma mulher desejar-te ainda mais.” (pp. 82-83)

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“A sociedade. Senti que finalmente começava a adquirir uma vaga noção do que isso significava. É a luta entre um indivíduo e outro, uma luta ali e acolá, na qual o triunfo imediato é tudo. Os humanos nunca se submetem a humanos. Até os escravos praticam as suas vis retaliações. Os humanos não conseguem conceber quaisquer outros meios de sobrevivência exceto a competição. Falam de dever para com o país e coisas desse tipo, mas o objeto dos seus esforços é, invariavelmente, o indivíduo, e o indivíduo surge novamente mesmo quando as suas necessidades estão satisfeitas. A incompreensibilidade da sociedade é a do indivíduo.” (p. 90)

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