Auto-de-Fé – Elias Canetti (Cavalo de Ferro)

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Os irmãos Peter e Georges Kien receberam uma avultada herança após a morte do seu pai. Georges, médico ginecologista, decidiu estudar psiquiatria a partir do momento em que identificou o seu irmão como um caso insólito tratando-se de um objecto de estudo, acabando por abrir um lar para doentes do foro psiquiátrico à conta da herança recebida. Peter, por seu turno, nunca teve de trabalhar. Dedicou toda a sua vida ao estudo sendo detentor da maior biblioteca privada da sua cidade sendo igualmente o maior erudito em sinologia. Entre leituras intermináveis e ensaios continuamente publicados, Peter vive completamente apartado do mundo à sua volta manifestando clara dificuldade no relacionamento com os outros.

Apesar do seu alheamento total perante tudo e todos, Peter leva uma vida bastante calma ainda que repleta de rituais num estilo manifestamente kantiano. Mas Peter está prestes a embarcar numa verdadeira odisseia a partir do momento em que se casa com Teresa. Num ápice, Peter é expulso da sua própria casa ficando totalmente separado daquilo que mais ama e necessita como ar para respirar: a sua biblioteca. O contacto com o mundo exterior leva Peter a confirmar a sua tese relativamente ao saber e à ciência em geral: nem todas as pessoas estão aptas para enveredar no mundo do conhecimento devendo muitas delas estar proibidas de tocar sequer em livros!

Peter regressa entretanto a casa, mas os livros revoltam-se contra ele. Palavras e linhas libertam-se dos livros e Peter não tem saída culminando num verdadeiro auto-de-fé como se se tratasse dos velhos tempos inquisitórios. E Peter “desatou a rir às gargalhadas como nunca tinha rido na sua vida”.

Elias Canetti no seu Auto-de-Fé revisita Buda e Confúcio, os deuses da mitologia grega, Sócrates, Platão e Aristóteles, Miguel Ângelo e Kant, entre outros, na tentativa de entrar verdadeiramente no mundo das ideias perfeitas em oposição ao mundo das sombras e conjeturas.

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Romancista e ensaísta, Elias Canetti foi galardoado com o Prémio Nobel de Literatura em 1981. Auto-de-Fé é o seu único romance publicado.

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