Não Faço Ideia – Vasco Durão (Princípia)

87. Não Faço Ideia

Quando iniciei a leitura de Não Faço Ideia de Vasco Durão precisei da lapiseira para ir sublinhando algumas ideias, assim como tirar algumas notas nas margens tal como quando estudava ou quando preparava as aulas sobretudo do ensino secundário.
Não Faço Ideia é um livro interessantíssimo que chega até nós na altura certa, época de incerteza e de mudança. O livro centra-se em cada um de nós como indivíduo e numa esfera mais alargada na própria sociedade tendo a criatividade um papel catalisador na busca da felicidade.
Não Faço Ideia é um livro repleto de energia pondo-nos a refletir a tempo inteiro sobre nós e sobre todas as esferas em que tocamos. Nós somos a tónica desta obra e só faremos a diferença quando questionarmos a realidade da forma como nos é apresentada que quando aliada à nossa decisão de agir estaremos a criar progresso.
Em determinados aspetos, este livro faz-me recordar um seminário pedagógico que tive há muitos anos com António da Nóvoa que a certa altura se referiu a metodologias utilizadas sem o efeito desejado: “A melhor estratégia é mudar de estratégia”. A criatividade é bem-vinda e desejada mais do que nunca e em todas as áreas!

Booktrailer de Não Faço Ideia:

http://vimeo.com/53675001

Excertos:

“Agora que já passou da capa, posso começar por dizer que até faço ideia. Ou, antes, faço ideias para viver. Não só porque tenho contas para pagar e família para alimentar, mas sobretudo porque sem ideias murcho. Como sou um idiota à antiga, só tenho uma receita para ter ideias: quando não faço ideia, procuro inspiração naquilo que os outros têm para me dizer, e leio. Por isso, das duas uma: ou se dá ao trabalho de ler o que vai por estas letras fora, ou pode já fechar o livro e emprateleirá-lo, quem sabe debaixo de uma mesa manca.” (p. 12)

“Na era conceptual, riso, leveza de espírito, jogos e humor são para levar a sério. Todos precisamos de jogar e brincar para estimular a criatividade, porque as pessoas que sabem rir são pessoas mais criativas. Não é por acaso que o humor é uma das manifestações mais perfeitas da inteligência humana.” (p. 32)

“(…) À medida que o mundo exige habilitações conceptuais, criativas e fora da rotina, as escolas promovem precisamente o contrário: rotinas, respostas únicas e estandardização; vulgo, sebentismo. (…) E as boas notas (…) pouco têm a ver com verdadeira aprendizagem.
(…) Os grandes professores que mudam os cursos de vida dos alunos são cada vez mais necessários. Pelo que o problema não são os professores, mas sim as escolas que não gostam de grandes professores. Não é por acaso que nos lembramos mais de professores do que de disciplinas, ou que as disciplinas que mais nos marcaram foram aquelas que foram lecionadas por professores mais marcantes. (…) A escola hoje parece uma fábrica.” 
(p. 45)

“A criatividade não foi à universidade, (…) todos podem, e devem, ser criativos para sobreviver na era conceptual. (…) Primeiro há sempre o momento “Ah!…” O resto é pôr a criatividade a trabalhar. (…) Mas também é verdade que a emoção tem de estar sempre à flor da pele (…), a criatividade tem uma relação direta com a alegria: as pessoas ficam felizes quando têm uma ideia e têm melhores ideias quando estão felizes.” (pp. 48-49)

Vasco Durão

“A criatividade é um processo coletivo. (…) São os indivíduos que ficam mais criativos porque fazem parte do coletivo, e não é por acaso que a maioria das ideias revolucionárias emerge em ambientes cooperativos. (…) Ter ideias é um poder democrático, porque as ideias não obedecem a nenhum sistema de classes (…).” (pp. 59-60)

“O que nos motiva profissionalmente no século XXI – e à medida que a nossa vida profissional se torna cada vez mais nómada, digital e flexível (…) não é a quantidade de dinheiro que fazemos ao fim do mês, mas sim a satisfação que ganhamos com o nosso trabalho. (…) O emprego não é o nosso trabalho. O que fazemos de corpo e alma, isso sim é o nosso trabalho. Pelo que o passo a dar para encontrar a tal motivação intrínseca, (…) é transferir a nossa paixão para o nosso trabalho, em vez de andar à procura de um trabalho que case com a nossa paixão.” (p. 98)

“Do que as pessoas não gostam é de ser mudadas. Seja uma complexa mudança de lugar, seja uma simples mudança de personalidade.
Do que nós gostamos mesmo é de refilar, o que fazemos com bastante mais facilidade do que elogiar. É por isso que, para algo mudar, (…) alguém tem de começar a agir de forma diferente. Isto é, todos e cada um de nós. A mudança não é um evento isolado, mas sim um processo, que não tem de ser kafkiano. Um processo que, quando funciona, apresenta um padrão claro: as pessoas que mudam sabem muito bem para onde vão, estão intrinsecamente motivadas e têm todo o apoio de que precisam. Para este último fator conta muito a envolvência dos colegas, amigos e/ou família no nosso processo de mudança, porque a pressão deles será sempre positiva. Mas o que conta mais é conseguir manter a motivação quando estamos a tentar imprimir uma mudança, seja ela inevitável ou desejável. A motivação, para continuar ou para mudar, vem da confiança, mas vem sobretudo da emoção, já que o conhecimento adquirido não é suficiente para motivar uma mudança.”
(p. 112)

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