“Travessuras da menina má” de Mario Vargas Llosa

Hesitei muito em fazer um texto sobre este livro. Primeiro porque achei que seria presunçoso escrever e divulgar uma opinião negativa sobre uma obra de um autor Prémio Nobel. Em segundo lugar, tendo em conta que só consegui ler cerca de 1/3 do livro, é legítimo questionar se não mudaria de opinião caso tivesse sido persistente e o tivesse lido até ao fim. Finalmente, perguntei a mim própria se o problema não terá sido ter pegado neste livro de Mario Vargas Llosa depois de ter lido outros dois que me deslumbraram e impressionaram profundamente.  Mas depois a Márcia desafiou-me dizendo que seria bom colocar neste blog uma opinião negativa, que seria útil para um certo “espírito de contraditório” e para espicaçar o debate entre os leitores.
Assim, devo começar por dizer que no início até estava a gostar do livro, tendo  achado até bastante piada à parte relativa à adolescência das personagens em Lima. Mas depois a coisa complicou-se…

Nem a excelente  e irrepreensível escrita do autor me conseguiu entusiasmar a levar até ao fim um livro cuja temática, neste momento pelo menos, não me interessou nem um bocadinho. Ou melhor, não foi bem isso, foi um certo tédio que começou a apoderar-se de mim quando comecei a ler os devaneios obsessivos do idiota do Ricardo sobre uma “Barbie” vigarista e frívola, totalmente desprovida de escrúpulos e de conteúdo. Antipatizei de imediato  com esses dois: ele porque me transmitiu a ideia de ser um homem que só aprecia as mulheres pela casca, ou seja, pela aparência, e que permanece obcecado, apesar de maltratado, revelando assim uma notável falta de respeito por si próprio; ela porque encarnava quase tudo aquilo que detesto e desprezo numa figura feminina – a utilização do corpo para manipular os homens, a frivolidade e a desonestidade sem pingo de remorso.

Em termos de personagens gostei do Paúl, do hippie peruano que vive em Londres e da respectiva benfeitora à qual achei imensa graça mas estes não foram suficientes para me convencer a continuar a leitura.

Talvez daqui a algum tempo volte a pegar neste livro. Tenho a impressão de não ter conseguido fazer-lhe justiça. Será que tudo isto não foi apenas uma questão de sequência temporal infeliz? “Bad timing”?

Sinopse:

Qual o verdadeiro rosto do amor?

Ricardo vê cumprido, muito cedo na vida, o sonho que sempre alimentara de viver em Paris. Mas o reencontro com um amor da adolescência mudará tudo. Essa jovem, inconformista, aventureira, pragmática e inquieta, arrastá-lo-á para fora do estreito mundo das suas ambições.

Criando uma admirável tensão entre o cómico e o trágico, Mario Vargas Llosa joga com a realidade e a ficção para dar vida a uma história na qual o amor se nos revela indefinível, senhor de mil caras, tal como a menina má.

Paixão e distância, sorte e destino, dor e prazer… Qual é o verdadeiro rosto do amor?

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4 pensamentos sobre ““Travessuras da menina má” de Mario Vargas Llosa

  1. Excelente texto. Este livro é um dos meus favoritos mas gostei muito de ler a opinião de uma outra perspetiva. Pode continuar a rodar…

      • Renata, não te sintas mal, pois o teu texto está excelente e, em vez de desencorajar a ler o livro, acaba por encorajar! Eu confesso que fiquei tentada…

  2. Não alimentes esses sentimentos Renata. A partir de agora fico muito curiosa com a opinião seguinte, Espero que o livro continue a rodar.

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