“No meu peito não cabem pássaros” de Nuno Camarneiro

No Meu Peito Não Cabem PássarosAcabada a leitura deste livro, faltam-me as palavras para o descrever e enquadrar…

Gostei tanto deste poema disfarçado de romance que nem sei por onde começar. Gostei da sua estrutura feita de capítulos curtos em que as histórias daqueles 3 homens se vão intercalando e evoluindo lentamente para os respectivos desfechos. Gostei do pormenor dos recortes de jornais da época que antecedem o desenrolar das vidas que nos são contadas. E, acima de tudo, gostei imensoooo da forma como este livro está escrito. As frases que nele moram são de uma beleza,  elegância e originalidade ímpares, tornando muito difícil este simples exercício de sobre elas emitir uma opinião. Esta é uma obra de um verdadeiro artífice das palavras que aborda não só os aspectos principais da vivência humana como o amor, a morte e o medo desta, a solidão, a miséria de corpo e de alma mas também a imaginação e a criatividade personificadas por 2 grandes autores do século XX. Nela não se encontram aqueles lugares comuns contra os quais os aspirantes a escritores são constantemente alertados nem vulgaridades desnecessárias. Não tenho qualquer dúvida em recomendar a leitura deste livro, sobretudo aos apreciadores da beleza e da música das palavras. Deixo aqui alguns pequenos excertos que me tocaram particularmente:

“Como pode alguém domar a poesia? Um poeta é apenas um lugar por onde o poema passa. Se um escritor inventa mundos é porque há mundos que querem ser inventados.”

“Cada mulher é uma soma de parcelas sem conta, uma por cada homem passado, por cada homem querido, por cada dor, por cada filho. Há partes que dormem até que um toque as estremeça, outras que ardem num fogo autónomo, sem nada que o alimente.”

“Talvez o amor nos ensine como é bom sentir, para dentro e para fora ao mesmo tempo, um coração a falar com outro sem saber de nada, coisas lá deles, coisas de corações.”

“(…)Por uma estrada inventada chega-se a qualquer lugar e por palavras escritas chega-se a qualquer vida em qualquer época. Começa-se devagar, com descrença, e vai-se andando encostado ao desespero até que as palavras visitem os sonhos e tomem conta deles. Primeiro uma vida, depois outras que a suportem e justifiquem. Vidas ao lado e vidas antigas, vidas que hão-de vir e outras que nunca chegaram a ser. Todas fazem falta, todas servem.”

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2 pensamentos sobre ““No meu peito não cabem pássaros” de Nuno Camarneiro

  1. Penso que não é fácil escrever sobre este livro. Eu pelo menos, na minha opinião, senti que fiquei muito aquém do brilhantismo que ele me transmitiu.
    É curioso pois no curso de escrita criativa foi este o livro que escolhi para o nosso primeiro trabalho. Como ainda não tinha ganho o prémio o “mestre” não lhe ligou nenhuma… ehe…

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